1. EDITORIAL 25.9.13

"A DESISTNCIA DE DILMA"
Carlos Jos Marques, diretor editorial 

Do ponto de vista meramente simblico, a deciso da presidenta Dilma de cancelar a visita ao colega americano Barack Obama  quando teria direito a baile de gala e tratamento especial  pode ser vista como louvvel. Afinal, a afronta  soberania nacional, classificada pela diplomacia como fato atentatrio grave, realmente merecia uma resposta  altura. Mas, no campo prtico, o Brasil, com essa deciso, vai lamentavelmente colher nus de imagem e prejuzos concretos junto ao vizinho. O distanciamento que j no  de hoje entre os dois pases tem sido responsvel por uma sensvel queda nos negcios e acordos comerciais nesse eixo bilateral. Os americanos j responderam pelo maior pacote de compras de mercadorias nacionais. A posio foi encolhendo, ano a ano, para patamares bem aqum do desejvel, na mesma proporo em que a dependncia do Brasil para com a China crescia. Os EUA, todos sabem, so o maior mercado do mundo e o que mais importa.

Principalmente produtos de valor agregado. Desde o governo Lula, as relaes brasileiras com esse parceiro diminuram sensivelmente e atingiram nveis que podem ser considerados alarmantes no mandato de Dilma. Com o distanciamento em curso, h poucas chances de uma virada nesse sentido. Obama, por sua vez, parece mais interessado em entabular conversas e contratos com naes europeias e j assinou at um termo de intenes de criao de um bloco comum com a zona do euro, carregando consigo aliados tradicionais como o Mxico e o Canad. O movimento certamente diminui as perspectivas de latinos como o Brasil  que parece, cada vez mais, preso em um abrao de afogados com os aliados do Mercosul, que pouco o respeitam. Nesse contexto  que a visita de Dilma a Obama se revestia de uma importncia nada desprezvel. O reencontro entre os dois chefes de Estado poderia ser, por assim dizer, um marco na tentativa de reaproximao. O plano est agora temporariamente adiado. No cabem queixas  deciso poltica em virtude das circunstncias, mas h de se lamentar as consequncias inegavelmente negativas na rea econmica no momento em que o Pas estava precisando de toda ajuda possvel para voltar ao trilho do desenvolvimento.

